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quinta-feira, 8 de abril de 2010

11ºSOROLOGIA PARA HIV / AIDS. COMO E QUANDO TESTAR ?

Saiba em quanto tempo o teste para HIV (VIH) fica positivo após a exposição ao vírus

Uma das dúvidas mais frequentes da população é em relação ao tempo entre a a contaminação pelo HIV (em português VIH ou vírus da imunodeficiência humana) e a positivação dos testes laboratoriais.

Vamos entender então como é feito esse diagnóstico.

O teste que realizamos para avaliar a infecção pelo HIV não detecta o vírus em si, mas sim a presença de anticorpos contra o mesmo.

Os anticorpos são proteínas produzidas para combater agentes infecciosos específicos. Uma vez que o HIV entra no nosso organismo, ele é capturado pelas células de defesa e sua estrutura é analisada. A partir desse momento, produzimos anticorpos que são específicos contra o vírus.

Nosso organismo tem várias células encarregadas de nos defender contra invasores, como os linfócitos, neutrófilos, macrófagos etc... Essas células atacam tudo que for estranho ao organismo.

Os anticorpos são armas mais específicas. Um anticorpo contra o HIV só ataca o vírus do HIV. Ele é inócuo para outras infecções, como por exemplo, gripe ou varicela (catapora), mas é muito mais potente contra o HIV. Cada infecção tem seu próprio anticorpo. Se nunca tivermos contato com um determinado micróbio, nunca teremos anticorpos específicos contra ele.

Quando entramos em contato com algum germe pela primeira vez, o corpo demora algum tempo para analisar a estrutura e produzir anticorpos específicos. Quando algum micróbio já conhecido pelo organismo nos infecta novamente, imediatamente os anticorpos produzidos na infecção anterior são recrutados para atacar o invasor. Esse é o princípio da vacina. Estimular a produção de anticorpos específicos para que, quando entrarmos em contato com o agente infeccioso este impeça a doença de se desenvolver.

Leia DOENÇA AUTO-IMUNE para um melhor entendimento sobre o nosso sistema imune.

Portanto, no caso do HIV, o que procuramos é a presença ou não do anticorpo específico. A essa pesquisa damos o nome de sorologia.

A sorologia do HIV tem uma acurácia superior a 99%. Um teste quando positivo é sempre repetido pelo menos mais 2 vezes. Isso praticamente elimina a possibilidade de erros. Estes quando ocorrem são normalmente por erro humano e não por falha do exame.

Os testes mais novos conseguem detectar a presença de anticorpos até 6 semanas após a exposição ao vírus. Para se ter total certeza da infecção ou não, o teste deve ser repetido com 12 e 24 semanas quando o primeiro é negativo. Não adianta fazer o teste antes desse período que é chamado de janela imunológica.

Já existe o ELISA de 4º geração, que além de ser uma sorologia (pesquisar anticorpos), ela também pesquisa o antígeno P24, uma proteína do HIV. É portanto, um teste duplo que procura por anticorpos e pelo próprio vírus. Deste modo, o teste pode ser feito com apenas 4 semanas (95% de acurácia). Se negativo, deve-se repeti-lo com 6 ou 8 semanas. Se novamente negativo, caso encerrado.

O procedimento atual após uma situação de risco, tipo relação sexual não protegida ou acidente com material biológico, é colher uma sorologia o mais rápido possível. Isso serve para diferenciar pessoas já infectadas previamente. Imagine que você teve uma relação não protegida e 2 dias depois resolve fazer o teste para o HIV. Se este der positivo significa que você já tinha o vírus, uma vez que não houve tempo hábil para produção e detecção dos anticorpos. Se você só fizesse o teste 6 semanas depois, ficaria com a idéia de ter contraído a doença nesta relação desprotegida, quando na verdade a infecção é anterior.

Há uns 3 anos eu atendi um paciente que vinha solicitar a sorologia do HIV porque , segundo ele, havia sido atacado com uma agulha por um drogado. O suposto ataque havia ocorrido há 2 ou 3 dias ele estava assustado com a possibilidade de ter contraído o HIV. Realizada a sorologia, esta veio positiva. Obviamente não foi o ataque do drogado que o contaminou. Na verdade o doente já imaginava ser portador do vírus e queria arranjar uma desculpa para poder contar a esposa sem ter que expor os seus casos extra-conjugais.

É sempre bom salientar que um exame negativo para HIV reflete o estado do paciente há pelo menos 6 semanas. Se o seu parceiro apresentar um exame negativo para HIV, mas tiver tido alguma relação não protegida nas últimas 6 semanas, esse teste de nada vale.

Toda relação sexual deve ser feita com preservativos. Mesmo para pessoas casadas. Isto pode parecer exagero, mas a quantidade de mulheres casadas que contraem o vírus do marido é imensa. Na verdade este é o grupo que mais cresce entre os infectados. É triste, mas é a realidade.
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Leia também:
- SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)
- SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)
- DOENÇA AUTO-IMUNE
- AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES
- DST - GONORRÉIA E CLAMÍDIA
- DST - HERPES LABIAL E GENITAL
- DST - SÍFILIS
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10ºSINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)

Saiba quais são os sintomas iniciais da infecção pelo HIV e quais doenças definem a AIDS (SIDA)

Ao contrário do que muita gente pensa, ser portador do HIV não é igual a ter AIDS (SIDA). Para o diagnóstico de AIDS é preciso além da presença do vírus, a coexistência de doenças pela imunossupressão. Algumas pessoas podem ter HIV durante anos e não desenvolver AIDS.

Logo após a contaminação pelo vírus, pode ocorrer um quadro chamado de infecção aguda pelo HIV, que nada tem a ver com AIDS.

Neste texto vou falar sobre 2 quadros clínicos causados pelo HIV: a.) Infecção primária ou aguda pelo HIV e b.) AIDS

a.) INFECÇÃO AGUDA PELO HIV

Uma grande quantidade de sinais e sintomas podem estar associados a infecção aguda pelo HIV. Muitos deles sintomas inespecíficos que ocorrem comumente em uma gama de outros quadros infecciosos, como pode-se ver na figura abaixo



O sintoma mais comum é a febre (38ºC a 40ºC), que ocorre em mais de 80% dos casos.

Também muito comuns são:

Faringite sem aumento da amígdalas e sem presença de pus ( leia: DOR DE GARGANTA - FARINGITE E AMIGDALITE )
Lesões de pele (rash) que ocorrem 48 a 72h após o início da febre e costumam durar entre 5 e 8 dias. Este rash costuma se apresentar como lesões arredondadas, menores que 1 cm, avermelhadas, com discreto relevo e distribuídas pelo corpo, principalmente no tórax, pescoço e face. Também podem acometer solas dos pés e palmas das mãos.
Aumento de linfonodos (inguas) principalmente em axilas e pescoço.
Dores articulares, musculares e cefaléia (leia: DOR DE CABEÇA - ENXAQUECA, CEFALÉIA TENSIONAL E SINAIS DE GRAVIDADE)

Em 10% dos casos pode-se ter também aumento de fígado e/ou baço, úlceras orais, anais e genitais, diarréia e vômitos (podendo levar ao emagrecimento de até 5 kg).

A úlceras parecem estar relacionadas ao ponto de entrada do vírus nas mucosas, semelhante ao que ocorre na sífilis (leia: SINTOMAS DA SÍFILIS). Úlceras orais indicam contaminação por sexo oral ativo e a úlceras anais por sexo anal passivo. Do mesmo modo, também pode haver úlceras vaginais e penianas.

Existem também casos descritos de hepatite, pneumonia e pancreatite (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA) causados pela infecção aguda do HIV.

Em raros casos também pode ocorrer candidíase oral ou vaginal.

Tipicamente os sintomas de infecção aguda pelo HIV iniciam-se entre 2 e 4 semanas após a exposição. Porém, já foram descritos casos com até 10 meses de intervalo.

Como se pode notar, são todos sintomas inespecíficos e nenhum deles consegue definir o diagnóstico de infecção aguda pelo HIV. Mais importante que os sintomas em si, é o tempo de intervalo entre o comportamento de risco (sexo sem preservativos ou compartilhamento de agulhas) e o aparecimento dos mesmos.

De qualquer modo, o diagnóstico não é clínico já que várias doenças têm o mesmo quadro, sendo necessário a realização das sorologias ou da pesquisa do vírus para confirmação (leia: SOROLOGIA PARA HIV / AIDS. COMO E QUANDO TESTAR ?).

Os pacientes na fase aguda do HIV apresentam carga viral elevadíssima estando portanto altamente contagiosos neste momento(leia: SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)).

O quadro de infecção aguda pode durar até 2 semanas.

b.) SINTOMAS DA AIDS (SIDA)

O término da infecção aguda costuma coincidir com a positivação da sorologia pela produção de anticorpos específicos contra o HIV. Nesta fase a carga viral cai e se estabiliza em níveis baixos durante muitos anos.

O HIV ataca principalmente as células de defesa chamadas de linfócitos CD4. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA ou AIDS) é um quadro de imunossupressão e infecções oportunístas devido aos níveis baixos de linfócitos CD4.

Chamamos de infecção oportunista aquelas que ocorrem aproveitando-se da queda no nosso sistema imunológico. Infecções oportunistas existem não só na AIDS, mas também em doentes transplantados, em quimioterapia, com câncer, ou qualquer outra condição que leve a imunossupressão.

Para se estabelecer o diagnóstico de AIDS é preciso estar infectado pelo HIV e:
1.) ter uma contagem de linfócitos CD4 menor que 200 células/mm3; ou
2.) apresentar uma das doenças definidoras de AIDS, que são:

Candidíase pulmonar ou traqueal
Candidíase de esôfago (leia: O QUE É A CANDIDÍASE ?)
Câncer de colo uterino invasivo
Coccidioidomicose disseminada (uma infecção fúngica)
Criptococose extra-pulmonar (também infecção fúngica)
Criptosporíase intestinal (doença parasitária)
Citomegalovirus (doença viral)
Encefalopatia do HIV
Herpes simples crônica (mais de 1 mês de duração) ou disseminada (leia: DST - HERPES LABIAL E GENITAL)
Histoplasmose disseminada (infecção fúngica)
Isosporiase intestinal crônica (doença parasitária)
Sarcoma de Kaposi's (neoplasia típica da AIDS)
Linfoma de Burkitt
Linfoma do sistem nervoso central (leia: O QUE É UM LINFOMA ? )
Infecção disseminada por Mycobacterium avium complex (infecção bacteriana)
Tuberculose disseminada (leia: SINTOMAS DE TUBERCULOSE )
Pneumonia pelo fungo Pneumocystis carinii (também chamado Pneumocystis jirovecii)
Pneumonia recorrente (leia: QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA PNEUMONIA ? )
Leucoencefalopatia multifocal recorrente (doença viral)
Sepse por salmonella (leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?)
Toxoplasmose cerebral
Síndrome consuptiva (emagrecimento) do HIV

As doenças listadas acima são típicas de pacientes com imunossupressão, não necessariamente por AIDS, mas a sua presença indica obrigatoriamente a investigação do HIV.

Não existe um quadro clínico único da AIDS. O quadro clínico vai depender do tipo de doença que se desenvolver e os órgãos afetados. Se você me perguntar qual os sintomas da AIDS, eu vou responder, depende.

A imunossupressão além de facilitar o surgimento de infecções, também aumenta a frequência de neoplasias malignas. Cânceres como o de colo uterino (leia: SINTOMAS DO HPV E CÂNCER DO COLO DO UTERO) se tornam extremamente agressivos e linfomas são muito mais frequêntes na AIDS que em pessoas sadias. Outros como o Sarcoma de Kaposi são típicos de imunossuprimidos, principalmente em homossexuais. (leia: CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES)

Aquela imagem do paciente com AIDS, caquético, cheio de lesões de pele e candidíase oral, já não é mais tão comum. O tratamento avançou muito nos últimos anos e boa parte dos doentes mantém seus níveis de CD4 elevados, impedindo a ocorrência de infecções oportunistas.

Mas o HIV ainda não tem cura e ainda mata. Na verdade, quem leva ao óbito não é o HIV, mas sim as infecções oportunísticas e neoplasias secundárias a imunossupressão.
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Leia também:
- SOROLOGIA PARA HIV / AIDS. COMO E QUANDO TESTAR ?
- SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)
- ENTENDA O QUE ACONTECE COM PACIENTES NO CTI (UTI)
- O QUE É ANEMIA ?
- SINTOMAS DA SÍFILIS
- DST - GONORRÉIA E CLAMÍDIA
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9ºSAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS

Antes de descrever como se transmite/contrai o HIV (AIDS ou SIDA), é preciso uma rápida explicação sobre a doença. O que vou escrever nas próximas linhas pode parecer banal para a maioria, mas são informações que muitas pessoas ainda não tem.

SIDA é a sigla em português para AIDS que significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. HIV é a sigla em inglês para Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). Todos os países de língua latina usam o termo SIDA e VIH, exceto no Brasil, onde a imprensa popularizou os termos em inglês AIDS e HIV. Vou usar os 2 ao longo do texto.

A SIDA é uma doença infecciosa, transmitida por um vírus chamado HIV. Só se contrai o vírus de uma pessoa infectada pelo mesmo. Ou seja, não se pega AIDS tendo relações sexuais com alguém que não tenha o vírus, não se pega AIDS se masturbando e não se pega AIDS através de transfusão de sangue não contaminado.

É importante diferenciar o HIV da AIDS. O HIV é o vírus, enquanto que a SIDA é a doença causada pelo vírus. É possível ter o HIV e não ter AIDS. Algumas pessoas são carreadoras assintomáticas do vírus. Na verdade, a maioria das pessoas passa vários anos tendo o HIV, mas sem desenvolver a SIDA. A média de tempo entre a contaminação com o vírus e o desenvolvimento da doença é de 10 anos.

Atenção: A AIDS AINDA NÃO TEM CURA. Os tratamentos avançaram muito nas últimas décadas, mas ainda não existe cura para a doença.

Para se desenvolver a doença, o vírus precisa tem contacto com a circulação sanguínea. Portanto, o simples contato com a pele não é suficiente para a transmissão da doença. Como já expliquei em outros textos, a pele é o nosso principal organismo de defesa, impedindo que germes do ambiente tenham acesso ao nosso organismo. Leia TRATAMENTO DE FERIDAS E MACHUCADOS .

Porém, alguns locais da nossa pele não são barreiras tão eficientes. A glande do pênis, o ânus e a mucosa da vagina apresentam poros que possibilitam a invasão do HIV para dentro do organismo. A mucosa oral também não é tão eficiente porque frequentemente apresenta feridas.

O contato da pele ferida com os órgãos sexuais também pode levar a transmissão, como no caso de feridas nos dedos e introdução do mesmo na vaginal ou ânus.

O sexo oral pode transmitir HIV, principalmente se houver lesões na cavidade oral como gengivites, aftas, feridas etc... Algumas dessas lesões podem ser pequenas o suficiente para passarem despercebidas para a maioria das pessoas, mas não o suficiente para impedir a penetração do vírus.

O HIV é transmitido através de fluidos contaminados. Quanto maior for a concentração do vírus, maior é o risco de transmissão. Por esse motivo, o sangue é o principal meio de contágio, uma vez que é o que apresenta maior contagem do vírus.

Outros fluidos que contém o vírus são as secreções vaginais, o sêmem e o liquido pré-seminal (aquele transparente que sai do pênis antes da ejaculação).

O sexo anal costuma ser o que apresenta maior risco de contaminação. A mucosa do ânus/reto, é mais fina que a vaginal e por não apresentar lubrificação natural, está mais sujeita a pequenas lesões durante o ato sexual. Tudo isso favorece a entrada do vírus através da mucosa.

O risco de transmissão é maior quando a pessoa contaminada não se trata e apresenta uma carga viral elevada no sangue. Porém, mesmo aqueles que fazem o tratamento anti-retroviral de modo correto e apresentam carga viral indetectável, podem transmitir o vírus.

O melhor modo de prevenir o HIV é através de relações sexuais com preservativos. A camisinha é eficiente, sim. Não é verdade que o vírus consegue atravessar o látex dos preservativos.

A presença concomitante de outra DST, como sífilis, herpes, gonorréia aumenta muito o risco de transmissão e contágio pelo HIV.

Além da via sexual, existem outros meios de se contrair o HIV:

- Usuários de drogas injetáveis que compartilham agulhas
- Tatuagem e piercing apresentam risco pequeno, mas podem ser vias de transmissão caso haja uso de material contaminado.
- Transfusão de sangue (atenção: o perigo está em receber e não em doar sangue)
- Transmissão da mãe para o feto durante a gravidez

Os seguintes fluidos corporais NÃO transmitem o HIV (ao não ser que haja sangue misturado)

- Saliva
- Suor
- Lágrima
- Vômitos
- Fezes
- Secreções nasais

Também NÃO se contrai AIDS através de:

- Talheres ou pratos
- Picadas de inseto
- Abraços ou aperto de mão
- Vasos sanitários ou banheiro público
- Piscina pública
- Praia
- Doação de sangue
- Beijo. Existe um risco pequeno no caso de beijo na boca se ambos possuírem lesões sangrantes na mucosa oral. Situação que convenhamos, é pouco provável. Beijos na bochecha ou nos seios não transmite HIV
- Masturbação ativa ou passiva
- Sexo oral passivo (no sexo oral ativo há risco pelo contato da boca com as secreções vaginais e do pênis)

O HIV sobrevive muito pouco tempo no ambiente, por isso histórias sobre pessoas que colocam sangue contaminado no Ketchup, agulhas em telefones públicos e cadeiras de cinema são apenas mitos que circulam pela internet. Além disso, o vírus quando exposto a sabão ou outros produtos químicos, também morre.

Infecção aguda pelo HIV
(Um texto mais específico encontra-se aqui: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA) )

Chamamos de infecção aguda pelo HIV o quadro que ocorre entre 2 a 4 semanas após a contaminação com o vírus.

Os sintomas são semelhantes à uma síndrome de mononucleose (leia: MONONUCLEOSE - DOENÇA DO BEIJO) com febre, dor de garaganta, pequenas manchas de 1 cm e avermelhadas espalhadas pelo corpo, aumento dos linfonodos (inguas) e dor de cabeça O aparecimento de pequeans úlceras no pênis, ânus ou na cavidade oral são bem característicos da lesão priméria pelo HIV.

Nem todo mundo que se contamina com HIV vai desenvolver sintomas da infecção aguda, e em alguns casos, os sintomas são tão discretos que passam despercebidos pelo paciente.

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

8ºO que realmente sabemos sobre AIDS?

O que realmente sabemos sobre AIDS?
Christine Maggiore

A autora é fundadora e diretora da organização Alive & Well AIDS Alternatives, uma rede sem fins lucrativos para educação, apoio e pesquisa, em Studio City, Califórnia. É também autora do livro "E se tudo que você ouviu sobre a AIDS estiver errado?", traduzido para cinco línguas. Christine é mãe soropositiva saudável e não usa medicamentos.
Estou profundamente desapontada com pessoas progressistas, de pensamento crítico que param de pensar criticamente quando o assunto é AIDS. As mesmas pessoas que tomam cuidado com relatos da mídia e relatórios do governo aceitam, sem questionar, todos os relatos e relatórios sobre AIDS. Os mesmos ativistas que protestam contra o trabalho de empresas químicas multinacionais aceitam seus métodos característicos e seus produtos tóxicos como corretíssimos quando se trata de AIDS. No rádio, em jornais alternativos e entre as pessoas com enorme preocupação e compaixão, só há um lado da AIDS e pouca tolerância com qualquer pessoa que pense diferente. Parece que a AIDS é imune ao cepticismo saudável e é capaz de tornar liberais ardentes em convencionais ferozes e fazer seguidores submissos os nossos líderes mais inovadores.
Como mãe soropositiva e saudável, percebo que minha decisão de recusar medicamentos tóxicos para mim e para meu filho provoca profundas críticas em pessoas que — em outras situações — apóiam o pensamento independente, uma vida natural e o direito de escolha. Como diretora de uma organização alternativa de AIDS, gostaria que pessoas inteligentes e interessadas saíssem do paradigma vigente e estudassem um outro lado da AIDS. Com essa finalidade, gostaria de oferecer aos leitores a pontinha de um imenso iceberg de informações.
A AIDS não é uma nova doença. AIDS é um novo nome para uma lista — que cresce cada vez mais — de doenças antes conhecidas, não relacionadas, que incluem infecções por fungos, diarréia, tuberculose, salmonelose, algumas formas de pneumonia e de câncer. Essas doenças são chamadas de AIDS somente quando uma pessoa é soropositiva, mas todas elas também ocorrem em pessoas soronegativas. Todas têm causas bem conhecidas e seus tratamentos não tem nada a ver com o HIV.
A AIDS varia de país para país e de ano para ano. Em janeiro de 1993, autoridades do governo norte-americano que lidam com AIDS declararam que pessoas com teste HIV positivo e contagem baixa de células T – mas sem sintoma de doença – têm AIDS. Essa definição de AIDS "sem doença" fez com que o número de casos de AIDS duplicasse da noite para o dia. Desde então, mais da metade de norte-americanos diagnosticados com AIDS não têm nenhuma doença. Apesar dessa definição ampliada e dos gritos da mídia afirmando o contrário, os casos de AIDS nos Estados Unidos vêm constantemente declinando desde o segundo trimestre de 1993. É interessante que a definição de AIDS no Canadá não inclui o critério "sem doença" dos Estados Unidos. Isso significa que mais de 200.000 americanos, diagnosticados com AIDS com base na contagem das células T, não teriam AIDS se mudassem para Toronto. Também é interessante que os pesquisadores da AIDS reconhecem que apenas 3% das células T humanas estão no sangue, onde podem ser contatas por testes.
Na África, onde dizem que a AIDS prevalece, não se exige testes do HIV para o diagnóstico e a AIDS é determinada por quatro sintomas clínicos — febre, tosse, perda de peso e diarréia — sintomas indistinguíveis de desnutrição, fome, tuberculose, malária e infecções parasitárias que resultam da pobreza e da falta de água potável. Contrário aos Estados Unidos — onde oito de cada dez diagnósticos de AIDS são atribuídos a homens e 88% dos casos pertencem às categorias oficiais de "usuários de drogas injetáveis" e "homens que fazem sexo com homens" — na África se diz que as mulheres e as crianças são as principais vítimas.
Ao notar as diferenças entre a AIDS americana e a africana e outras anomalias preocupantes na hipótese "HIV = AIDS", o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, convidou no ano passado um grupo de peritos internacionais a participar de uma mesa-redonda sobre AIDS. Para obter um diálogo dinâmico e produtivo, Mbeki estendeu seu convite a médicos e cientistas que questionam a visão convencional da AIDS. Sua tentativa de abrir o debate sobre AIDS provocou desprezíveis e inflexíveis ataques da mídia, acusando Mbeki de tudo — de louco a assassino.
Relatórios da mídia sobre a África preferem estimativas angustiantes a números concretos. Por exemplo, estima-se que de quatro a cinco milhões de sul-africanos são HIV positivos, ao passo que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o total acumulado de casos de AIDS registrados nos últimos 20 anos naquele país está abaixo de 15.000. Alguns ativistas da AIDS argumentam que os números reais nada significam porque — devido ao estigma de um diagnóstico de AIDS — "AIDS" é muita vezes omitida nas certidões de óbito africanas. Entretanto, apesar dessas omissões, as supostas mortes por AIDS não estão aumentando o número de óbitos que aparecem em outras categorias, como seria esperado. De fato, o coeficiente geral anual de óbitos por todas as causas (inclusive AIDS) para os dois sexos é menos de 1% na África do Sul — um coeficiente louvavelmente baixo para um país em desenvolvimento e quase igual àquele dos Estados Unidos. Enquanto jornalistas proclamam estimativas de morte e devastação por AIDS, a população da África do Sul continua crescendo de maneira saudável 3% ao ano e a mortalidade infantil não aumentou durante a epidemia da AIDS.
As novas declarações da mídia sobre "níveis africanos" de infecção por HIV em São Francisco também são baseadas em estimativas. Esses números foram adotados em reuniões privadas de funcionários do governo e provêm de dados indefensáveis como pesquisas por telefone e pesquisas de rua. Enquanto as estimativas de HIV sobem, de acordo com o setor de epidemiologia do próprio Serviço de Saúde Pública de São Francisco, os casos de AIDS nessa cidade declinaram de forma constante desde 1993 e os índices de HIV atingiram seu apogeu há mais de dez anos.
Apesar das previsões alarmantes, 94% dos casos de AIDS americanos ainda são encontrados nos grupos de risco originais. Câncer, acidentes de carro, gripe e suicídios, cada um leva mais vidas a cada ano do que a AIDS. Embora a mídia nos alerte que a AIDS está aumentando nas minorias étnicas americanas, de acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (U.S. Centers for Disease Control), os casos de AIDS entre as pessoas de cor vêm declinando a cada ano desde 1996.
Apesar de não existir um teste real de AIDS — testar positivo para HIV não é equivalente a ter AIDS — o termo errôneo "Teste de AIDS" se tornou parte do nosso vocabulário moderno. Como mencionei, nos Estados Unidos não é necessário estar doente para um diagnóstico de AIDS, e os testes de HIV não estão realmente mostrando o HIV. Os testes de HIV não mostram o vírus nem anticorpos do HIV. Os testes de anticorpos detectam certas proteínas que não são exclusivas ou específicas do HIV e podem ser anticorpos produzidos em resposta a mais de 60 condições, que incluem resfriado, gripe, vacinas, herpes, hepatite, transfusão de sangue, parasitas, tuberculose, malária e até gravidez. O teste mais novo — de "carga viral" — que pretende medir o HIV, não detecta nem quantifica vírus infecciosos. Na verdade, o FDA, Federal Drugs Administration (agência norte-americana de controle de alimentos e remédios), exige que os fabricantes do teste declarem que o teste de carga viral "não se destina a ser usado para fazer um diagnóstico que confirme a presença do HIV".
Além disso, os medicamentos contra o HIV podem causar a maioria dos sintomas relacionados à AIDS. O AZT e outros produtos químicos usados nos diversos "coquetéis para AIDS" podem provocar cinco das doenças oficiais da AIDS (diarréia, demência, enfraquecimento muscular, diminuição de células T e linfoma), além de anemia, diabete, deformações físicas, cálculos renais, insuficiência hepática, enfarte, derrame, paralisia, necrose óssea e morte súbita. A idéia de que os novos coquetéis sejam responsáveis pela diminuição dos casos e óbitos de AIDS continua popular, porém ambos já estavam declinando antes das drogas serem liberadas para uso.
Poderia continuar indefinidamente, mas mesmo que tivesse o espaço, não teria tempo. Uma mãe soropositiva acabou de me ligar de Nova York para pedir ajuda. Ela havia admitido para o médico que parou, há um ano, de dar aos dois filhos os medicamentos tóxicos da AIDS. Por esta razão, a polícia lhe havia tirado os filhos esta manhã. Não importa que as crianças estejam com perfeita saúde e que os remédios lhes causassem diarréias constantes, anemia, fortes câimbras nas pernas e fizessem com que parassem de crescer. O importante na AIDS é a obediência!
Apesar da minha raiva e frustração, entendo as pessoas com ponto de vista apaixonado retratando a visão oficial da AIDS. Antes de começar a pensar de maneira independente, era uma educadora para várias organizações de AIDS e membro fundadora da diretoria de Mulheres em Risco. Conheço bem o desafio emocional e social ao questionar a AIDS.
Desde que comecei esse meu novo trabalho a respeito da AIDS, conheci centenas de pessoas soropositivas, de Los Angeles a Zimbábue, que, apesar dos terríveis prognósticos e das pressões, permanecem audaciosamente vivas e naturalmente saudáveis. Ao contrário da crença popular, o que temos em comum não é uma qualidade genética rara ou uma cepa especial do vírus, porém uma decisão bem fundamentada de nos liberarmos do medo através da compreensão e seguir nossa capacidade de viver com saúde. Está na hora de abrir a mente — e o coração — e dar uma chance a nossa visão e nossas experiências.

Fonte - www.aliveandwell.org
Retirado do site http://www.taps.org.br/oaids05.htm

6ºNova metodologia eleva números da aids nos Estados Unidos

Nova metodologia eleva números da aids nos Estados Unidos
Agência Estado
O número de norte-americanos infectados por ano com o vírus da aids é muito maior do que o governo estimava, afirmaram neste sábado (2) autoridades da área da saúde dos Estados Unidos. Com base em uma nova metodologia estatística, autoridades acreditam que as infecções anuais por HIV no país somem aproximadamente 55 mil, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC na sigla em inglês).

Em 2006, o país teve quase 56.300 novas infecções pelo vírus, o que representa um aumento significativo em relação à estimativa de 40.000 infecções anuais que foi utilizada nos últimos doze anos.

A nova metodologia é baseada em exames sanguíneos que, pela primeira vez, mostram quão recente ocorreu uma infecção por HIV, enquanto testes anteriores apenas detectavam a presença do vírus. "A estimativa (baseada na nova metodologia) é a mais confiável que temos desde o início da epidemia de aids", afirmou a Dra. Julie Gerberding, diretora do CDC.

De acordo com projeções recentes, aproximadamente 1,1 milhão de norte-americanos vivem com o vírus da aids. Autoridades planejam atualizar esse número com a nova metodologia estatística.



FONTE,http://www.parana-online.com.br/media/main/logoschedule/logo/20.gif?modified=088-143950

5ºLinha do Tempo da AIDS: Do Primeiro Caso aos Dias Atuais

Linha do Tempo da AIDS: Do Primeiro Caso aos Dias Atuais

- Veja Outros Artigos Relacionados ao Tema

"A aids não é mortal. Mortal somos todos nós."
Herbert de Souza, o Betinho

12 de dezembro de 1977: Morre, aos 47 anos, a médica e pesquisadora dinamarquesa Margrethe P. Rask. Ela havia estado na África, estudando o Ebola, e começara a apresentar diversos sintomas estranhos para a sua idade. A autópsia revelou que seus pulmões estavam cheios de microorganismos que ocasionaram um tipo de pneumonia.

1981 – Descreve-se pela primeira vez a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, contudo, sem nomeá-la cientificamente.

1982 - Pesquisadores do CDC estavam colhendo dados a respeito de nomes de pessoas homossexuais que houvessem mantido relações sexuais entre si, a fim de mapearem aquela doença, até então não compreendida em relação à sua forma de transmissão. Grande parte das pessoas entrevistadas relata haver conhecido um mesmo homem, um comissário de bordo de origem franco-canadense, Gaetan Dugas. Mais tarde este homem passou a ser conhecido como o paciente zero, a partir de quem a doença teria cruzado o oceano atlântico. No Brasil, os primeiros sete casos confirmados ocorreram em São Paulo, todos pacientes de prática homo/bissexual, tendo sido o Hospital Emílio Ribas a atende-los. Os pesquisadores ainda não haviam chegado a um consenso sobre o nome para esta doença, que era tratada pela imprensa como ‘Peste Gay’ ou GRID - Gay-Related Immune Deficiency. Ainda neste ano, casos de AIDS foram relatados em 14 países ao redor do mundo.

1983 – Instalou-se grande pânico ao redor do mundo quando se cogitou que a doença poderia ser transmitida pelo ar e utensílios domésticos, após ter sido relatado casos de infecção em crianças nos Estados Unidos. Ocorre a primeira Conferência sobre AIDS, em Denver, EUA. A doença é relatada em 33 países. Estavam confirmados 3.000 casos da doença nos EUA, com um total de 1.283 óbitos.

1984 – Descobre-se o retrovírus considerado agente etiológico da AIDS. Dois grupos de cientistas reclamaram ter sido o primeiro a descobri-lo: um do Instituto Pasteur de Paris, chefiado pelo Dr. Luc Montangnier e o outro dos Estados Unidos, chefiado pelo Dr. Robert Gallo. Ocorre a morte de Gaetan Dugas, considerado o "paciente zero", a pessoa que trouxe o vírus para a América. Fecham-se as saunas gays na cidade de São Francisco, EUA. A secretária de saúde e serviços humanos dos Estados Unidos declara que em muito pouco tempo, antes do ano de 1990, haveria uma vacina e a cura contra a AIDS. No final deste ano, 7.000 americanos tinham a doença.

1985 – Chega ao mercado um teste sorológico de metodologia imunoenzimática, para diagnóstico da infecção pelo HIV que podia ser utilizado para triagem em bancos de sangue. Após um período de conflitos de interesses político-econômicos, esse teste passou a ser usado mundo afora e diminuiu consideravelmente o risco de transmissão transfusional do HIV. O ator Rock Hudson morre, sendo a primeira figura pública conhecida a ter falecido em função de AIDS. Ryan White, um menino de 13 anos e hemofílico, é expulso da escola. Ocorre a primeira Conferência Internacional de AIDS em Atlanta. Ao final do ano, a AIDS havia sido relatada em 51 países. É relatada no Brasil a primeira ocorrência de transmissão perinatal, em São Paulo.

1986 - Na segunda Conferência Internacional de AIDS, ocorrida em Paris, foi reportada experiências iniciais do uso do AZT. No mesmo ano, o órgão norte-americano de controle sobre produtos farmacêuticos FDA (Food and Drug Administration) aprovou o seu uso. Este revelou um impacto discreto sobre a mortalidade geral de pacientes infectados pelo HIV. A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou uma estratégia global de combate à AIDS. Em relação aos usuários de droga injetável, a estratégia recomendava aos usuários que esterilizassem seringas e agulhas. No Brasil, Herbert de Souza, o Betinho, conhecido sociólogo e ativista político brasileiro, hemofílico, confirma sua condição de portador do vírus HIV. No mesmo ano ele funda a ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, entidade que vira referência na luta por maior controle dos bancos de sangue e contra a discriminação.

1987 – O governo britânico lançou uma campanha publicitária com a frase "Não morra de Ignorância" e entregou em cada residência um folheto sobre a AIDS. A princesa Diana abriu o primeiro Hospital especializado em tratamento da AIDS na Inglaterra. O fato dela não ter usado luvas quando apertou as mãos de pessoas com AIDS foi amplamente divulgado pela imprensa e ajudou a mudar atitudes preconceituosas. O presidente Kaunda, da Zâmbia, anunciou que seu filho morrera de AIDS. O presidente americano Ronald Reagan fez seu primeiro discurso sobre AIDS quando 36 mil americanos já possuíam diagnóstico e 20.000 já haviam morrido. Ao redor do mundo, no mês de novembro, 62.811 casos já tinham sido oficialmente reportados pela OMS, de 127 países. Desde este ano, o Governo Americano repassa recursos para o desenvolvimento de programas globais de prevenção ao HIV/AIDS.

1988 – A Inglaterra, em função do alto índice de contaminação de usuários de drogas, começou a discutir estratégias específicas focadas em programas de prevenção que foram mandados para 148 países. O programa enfatizava a educação, a troca de informações e experiências e a necessidade de proteção dos direitos e da dignidade humana. Morrem os dois irmãos de Betinho, também hemofílicos, de AIDS: Henfil, proeminente escritor, aos 43 anos e Chico Mário. Betinho afasta-se da ABIA, desesperançado. No mesmo ano, a OMS instituiu o Dia Mundial da AIDS, primeiro de dezembro, sendo esta primeira edição com o tema: "Junte-se ao esforço mundial".

1989 – Um grande número de novas drogas tornou-se disponível no mercado para tratamento das infecções oportunistas. O preço do AZT caiu 20%. Um novo antiretroviral, DDI, foi autorizado pelo FDA para pacientes com intolerância ao AZT. O tema do Dia Mundial da AIDS, 1º de Dezembro, é "Cuidemos uns dos outros".

1990 – Morre Ryan White, aos 19 anos. O programa de troca de agulhas e seringas da cidade de Nova York é fechado por questões políticas. Em dezembro, mais de 307 mil casos de AIDS haviam sido oficialmente reportados pela OMS, porém havia estimativas de números próximos a 1 milhão. No Brasil, morre o cantor de rock Cazuza. No mesmo ano, seus pais fundam a Sociedade Viva Cazuza. O tema do Dia Mundial da AIDS é "Aids e mulheres".

1991 – O jogado de basquete americano, "Magic" Johnson anunciou que era portador do HIV. Morre Freddie Mercury, cantor do grupo de rock Queen. O terceiro antiretroviral DDC foi autorizado pelo FDA para pacientes intolerantes ao AZT. Contudo, nesta época, ficou claro que o AZT e as outras drogas estavam limitadas ao tratamento da AIDS, pois o HIV desenvolvia resistência aos medicamentos que diminuíam sua eficácia. Ao final de 1991, chega a 200 mil o número de casos nos EUA com 133 mil mortes. O tema do Dia Mundial da AIDS é "Compartilhando um desafio".

1992 – A estrela do tênis Arthur Ashe anunciou que estava infectado pelo HIV em função de uma transfusão de sangue em 1983. O FDA aprova o uso do DDC em combinação com o AZT para pacientes adultos com infecção avançada. Esta foi a primeira combinação terapêutica de drogas para o tratamento da AIDS a apresentar
sucesso. O tema do Dia Mundial da AIDS é "Vamos juntos contra a AIDS de mãos dadas com a vida".

1993 – mais de 3,7 milhões de novas infecções ocorreram mundialmente. Mais de 10 mil por dia. Durante este ano, mais de 350 mil crianças nasceram infectadas. O bailarino russo Rudolf Nureyev morre de AIDS em janeiro. Em fevereiro, menos de um ano após ter anunciado a sua infecção, morre Arthur Ashe. "Previna-se da vida, não das pessoas" é o tema do Dia Mundial da AIDS.

1994 – passou a ser estudado um novo grupo de drogas para o tratamento da infecção, os inibidores da protease. Estas drogas demonstraram potente efeito antiviral isoladamente ou em associação com drogas do grupo do AZT (daí a denominação "coquetel"). Houve diminuição da mortalidade imediata, melhora dos indicadores da imunidade e recuperação de infecções oportunistas. Ocorreu um estado de euforia, chegando-se a falar na cura da AIDS. Entretanto, logo se percebeu que o tratamento combinado (coquetel) não eliminava o vírus do organismo dos pacientes. Some-se a isso também aos custos elevados do tratamento, o grande número de comprimidos tomados por dia e os efeitos colaterais dessas drogas. Por outro lado, um estudo comprovou que o uso do AZT reduzia em 2/3 o risco de transmissão de HIV de mães infectadas para os seus bebês. A despeito desses inconvenientes, o coquetel reduziu de forma significativa a mortalidade de pacientes com AIDS. O ator Tom Hanks ganha um Oscar por sua atuação no filme Philadelphia, onde interpreta um gay com AIDS. A AIDS se torna a principal causa de morte entre americanos com idade entre 25 e 44 anos. Desde o início da infecção, 400 mil pessoas nos Estados Unidos haviam desenvolvido a AIDS com 250 mil mortes. É criado o UNAIDS, integrado por cinco agências de cooperação de membros da ONU com o objetivo de defender e garantir uma ação global para a prevenção do HIV/aids. (Unicef; Unesco; UNFPA; OMS; e UNDP), além do Banco Mundial. Betinho é indicado pelo presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, para o Prêmio Nobel da Paz, por sua atividade no combate à fome. Estava pesando 45 kg. O tema do Dia Mundial da AIDS é "AIDS e família".

1995 – O FDA aprovou o uso do Saquinavir, a primeira droga de um novo grupo, antiretroviral, de inibidores de Protease. "Compartilhemos direitos e responsabilidades", é o tema do Dia Mundial da AIDS. Mais de 80 mil casos de aids já tinham sido registrados no Brasil pela Coordenação Nacional de DST e Aids da Secretaria de Projetos Especiais de Saúde do Ministério da Saúde. Nasce o Plano de Cooperação Técnica Horizontal entre países da América Latina e Caribe.

1996 – Magic Johnson retorna ao basquete profissional. Durante este ano, um crescente número de drogas foi aprovado pelo FDA nos EUA, para administração em combinação com outras drogas. Acontece a Conferência Internacional em Vancouver, onde se anunciou a combinação de três drogas com efeitos mais efetivos que a terapia dual. Surgiu a dúvida a respeito de quanto tempo estes efeitos poderiam ser mantidos, considerando-se as dificuldades e peculiaridades do tratamento. No final deste ano, a UNAIDS reportou que o número de novos infectados havia declinado em vários países em que práticas de sexo seguro haviam sido disseminadas (Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, e países do norte da Europa). O tema do Dia Mundial da AIDS neste ano é "Unidos na esperança". Acontece em dezembro, no Brasil, o Iº Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e AIDS, em Salvador, BA.

1997 – A UNAIDS reportou que os números mundiais de AIDS estavam piores do que o esperado: sugerindo que havia 30 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS e 16 mil novas infecções por dia. Em 09 de agosto, morre o Betinho, 11 anos depois de confirmar sua condição de portador, com 61 anos, vítima de Hepatite C, em casa, ao lado da mulher e dos filhos. O Brasil comove-se. A USAID/Brasil propõe estratégia de cinco anos para a prevenção do HIV/AIDS.

1998 - No dia Mundial da AIDS, a temática é a mesma do ano anterior: "Num mundo com AIDS, as crianças e os jovens são responsabilidades de todos nós". Na América Latina e Caribe, estima-se que aproximadamente 65.000 indivíduos entre 15 e 24 anos de idade adquiriram o HIV (UNAIDS, 1999).

1999 – O Dia Mundial da AIDS, celebrado em primeiro de dezembro, leva por tema "Você pode fazer um mundo melhor. Escute, aprenda e viva com a realidade da AIDS. Até este ano, 155.590 casos de AIDS foram registrados no Brasil, dos quais 43,23% na faixa etária entre 25 e 34 anos".

2000 – Acontece, de 06 a 11 de novembro, no Rio de Janeiro o Fórum 2000 – Iº Fórum e IIª Conferência de Cooperação Técnica Horizontal da América Latina e do Caribe em HIV/AIDS e DST.

Referências Bibliográficas

- Secretaria Municipal de Saúde e Higiene de São José do Rio Preto, SP

- Ministério da Saúde – Coordenação de DST/AIDS

- SHILTS, Randy. O prazer com risco de vida. Record. Rio de Janeiro, 1987.

- SODELLI, Marcelo. Escola e AIDS: Um olhar para o sentido do trabalho do professor na prevenção à AIDS. Tese de Mestrado PUC/SP, 1999.

- Instituto de Infectologia Emílio Ribas

Copyright © 2000 eHealth Latin America 26 de Setembro de 2000

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Infecção HIV e AIDS

FONTE,http://boasaude.uol.com.br/lib/images/boasaude_articulos.gif

7ºAIDS EM MOÇAMBIQUE

« Pós-graduados na área da saúde discutem em SP o tratamento como prevenção para o HIVPARCERIA: Ministério da Saúde »
Revista Veja destaca trabalho contra a aids de brasileiros que atuam pela organização Médicos Sem Fronteiras em Moçambique
By hivempauta
Com texto da jornalista Naiara Magalhães, a revista Veja desta semana traz uma grande reportagem sobre brasileiros que trabalham para a organização Médicos Sem Fronteiras em Moçambique. Eles de destacam pela criatividade, disposição e experiência no atendimento aos doentes de AIDS e portadores de outras doenças típicas das regiões pobres. Leia na íntegra:

Eles fazem diferença

Com 20 milhões de habitantes, Moçambique, na costa oriental da África Subsaariana, é um dos mais preocupantes focos do vírus HIV em todo o mundo. Nos grandes centros, como a capital, Maputo, ou a cidade de Tete, a AIDS se faz presente em toda parte. Nas ruas, é raro cruzar com pessoas mais velhas. A expectativa de vida no país é de 47 anos para os homens e de 49 para as mulheres. Ao lado de outras doenças epidêmicas, os outdoors não deixam esquecer: “O que tiveste na tua última relação sexual: amor, sexo ou HIV?”.

Cartazes sobre cuidados com as crianças não reforçam apenas a importância da vacinação contra as afecções típicas da infância. Num deles, na legenda da fotografia de uma garotinha acompanhada pelos pais, lê-se: “Eu já vou fazer o teste do HIV”.

Um em cada sete adultos moçambicanos está contaminado – o equivalente a 15% dessa população. Em algumas regiões, como a de Maputo, o índice é de um em quatro habitantes. Para se ter uma ideia do tamanho da tragédia, no Brasil, a taxa de contaminação pelo HIV é de menos de 1%. Até pouco tempo atrás, muitos moçambicanos nunca haviam ouvido falar emAIDS. Para eles, seus parentes e amigos morriam vítimas de alguma feitiçaria. Ainda hoje é comum que os doentes recorram aos curandeiros na esperança de cura.

Em um país dilacerado pela miséria e por quase trinta anos de guerra encerrada apenas em 1992, a precariedade do acesso aos cuidados básicos de saúde e a falta de informação sobre prevenção e tratamento compõem o cenário ideal para a disseminação do HIV. Metade dos quase 100 000 mortos pela doença todos os anos tem entre 30 e 44 anos – está na plenitude produtiva.

O país padece da falta de profissionais qualificados. O número de médicos em Moçambique não ultrapassa os 500. O de curandeiros, entretanto, supera os 70 000. Por isso, a ajuda estrangeira é crucial na luta contra a AIDS- tanto do ponto de vista financeiro quanto da mão de obra especializada.

A primeira e maior organização humanitária a desenvolver projetos de combate ao HIV em Moçambique foi a Médicos Sem Fronteiras (MSF), em 2001. Prêmio Nobel da Paz de 1999, a MSF foi fundada em 1971, por médicos e jornalistas franceses, e hoje conta com 27 000 profissionais, entre médicos, enfermeiros, psicólogos, arquitetos, administradores, economistas e engenheiros. Ela atua em 65 países conflagrados ou em situação de emergência sanitária.

Atualmente, a equipe da MSF em Moçambique é composta de 31 profissionais – sete dos quais brasileiros. Esses médicos e enfermeiras têm um perfil ideal para o trabalho desenvolvido pela instituição, porque ainda lidam por aqui com doenças típicas de países pobres, como tuberculose, malária e leishmaniose visceral.

“No Brasil, muitos médicos não apenas estudaram tais moléstias como tiveram a experiência de tratá-las”, diz Simone Rocha, diretora executiva da MSF-Brasil. Soma-se a isso o traquejo dos brasileiros para atender as populações mais carentes, de baixo nível educacional. “Eles sabem como transmitir uma mensagem de jeito simples para que o paciente consiga seguir o tratamento”, diz o coordenador de um dos projetos da MSF em Moçambique, o enfermeiro inglês Christopher Peskett.

Moçambique não é apenas o país com o maior número de brasileiros atuando na MSF, mas é também onde o Brasil faz escola.

Um dos projetos mais bem-sucedidos é o da médica paulista Raquel Yokoda, de 29 anos. O programa desenvolvido pela jovem vem ajudando a mudar um dos cenários mais cruéis da AIDSem Moçambique – o das crianças portadoras do HIV. Atualmente, 147 000 meninos e meninas de até 14 anos estão contaminados. As crianças entre zero e 4 anos mortas pela AIDSchegam a inacreditáveis 19% de todos os óbitos registrados pela doença. Com uma ideia extremamente simples, em seis meses Raquel conseguiu reduzir a taxa de mortalidade infantil em 80% no Hospital Dia de Moatize, nos arredores da cidade de Tete, no centro do país.

Ela transformou a sala de espera num lugar acolhedor para as crianças – uma espécie de brinquedoteca, decorada com motivos infantis. Com isso, ir ao médico passou a ser uma diversão para meninos e meninas que vivem em estado de miséria. Ajudada por moradores locais, Raquel adaptou histórias e jogos infantis à cultura moçambicana para explicar às crianças que elas são portadoras de uma doença que requer cuidados para toda a vida. Como o idioma oficial, o português, é falado por apenas 40% da população, as cartilhas de Raquel tiveram de ser traduzidas para o dialeto nhungue, característico da região.

Numa das histórias para as crianças de 5 anos, a AIDS é simbolizada pela mudança da cor do pelo dos leões. Doente, uma leoa vai atrás dos conselhos de um velho hipopótamo. O tratamento prescrito: a água de um mar vermelho, as folhas verdes das árvores e os raios de sol, todos os dias, para sempre. Ela morre, mas recomenda a seu filhote, o simpático leãozinho Bekhi, que siga à risca as orientações do sábio hipopótamo. Ele obedece e consegue crescer forte e feliz.

“Os pais têm muita dificuldade para contar a seus filhos que eles são portadores do HIV, e que terão de seguir um tratamento até o fim da vida”, diz Alain Kassa, coordenador-geral da missão da MSF em Moçambique. “O projeto de Raquel mudou esse processo, aumentando a participação das crianças no tratamento.” As cartilhas da jovem médica servem hoje de referência em todos os países de atuação da MSF.

“Nós só conseguimos fazer um bom trabalho quando entendemos e usamos a cultura local para nos aproximar dos pacientes”, explica Raquel. Ela voltou para o Brasil no fim de 2007, e agora cabe à historiadora goiana Wânia Correia, de 33 anos, dar continuidade ao projeto.

Uma das grandes inspirações para Raquel foi Laura Lichade, enfermeira moçambicana de 56 anos, com quem trabalhou ao longo de sua estada na África. Durante a guerra civil, enquanto fugia de um tiroteio, Laura pisou no estilhaço de uma mina. Por causa das complicações do ferimento, em 1994, teve o pé esquerdo amputado. Apesar de todas as adversidades, ela se dedica a cuidar de 56 bebês, crianças e adolescentes órfãos. Seis deles vivem na casa de Laura, com paredes de barro e chão de terra batida. Os demais, em um orfanato próximo. Laura fez com que todos fossem testados para o HIV e recebessem o tratamento adequado.

Em Moçambique, 1 milhão de crianças não têm mãe. Delas, 400 000 ficaram órfãs por causa da AIDS. “Costumo dizer às crianças com HIV que os remédios são como as minhas muletas, que me mantêm de pé”, conta ela. “Se elas acharem que podem parar o tratamento porque estão se sentindo bem, cairão, como eu caio sem as minhas muletas.”

Cerca de 70% dos moçambicanos estão nas áreas rurais. Vivem da agricultura de subsistência nas machambas, como são chamadas as pequenas propriedades agrárias. Os centros de saúde e os hospitais ficam longe e a condução de ida e volta é cara – 200 meticais, o equivalente a 12 reais.

Curandeiros, por sua vez, há por toda parte. Um dos rituais mais comuns no caso de doentes graves é a tatuagem. São feitos cortes de meio centímetro de comprimento nos braços e pernas dos pacientes, e uma mistura de raízes trituradas é aplicada sobre os ferimentos. As lâminas são reutilizadas e os potes de ervas compartilhados entre várias pessoas. Ou seja, a tatuagem é fonte de disseminação do HIV.

Somente quando se dão conta de que as ervas e os banhos dos curandeiros não funcionam, os moçambicanos recorrem aos médicos. Algumas pessoas chegam a caminhar 15 quilômetrosaté o hospital mais próximo, muitas vezes descalças, sob temperaturas impiedosas.

Ao circular pela área rural de Tete, no início de uma tarde de verão, tem-se a sensação de que há alguma queimada por perto. Mas não há vegetação em incêndio, apenas o sol que arde sobre a terra batida. Até resolver ir ao hospital, o militar aposentado Kaneti Chavunda, de 67 anos, sofreu durante quase um ano com uma tosse persistente e uma lesão dolorida nos pés e nas pernas – quadro característico do sarcoma de Kaposi, o câncer mais comum entre os soropositivos.

De sua casa ao Hospital Provincial de Tete, ele viajou duas horas na boleia de um caminhão. Em 25 minutos, Chavunda recebeu o diagnóstico positivo para o HIV. Não demonstrou angústia nem desespero. Olhar parado, em voz baixa, ele comentou: “Vou fazer o que os médicos mandam”. Essa é uma reação comum. Como a maioria das pessoas da zona rural, ele parecia não ter a dimensão da gravidade da notícia que acabara de receber.

Os testes rápidos de HIV e as orientações sobre prevenção e tratamento são conduzidos pelos chamados conselheiros – moradores locais treinados pela equipe da MSF. Dessa forma, os poucos enfermeiros e médicos disponíveis podem se dedicar a atividades de maior exigência técnica.

Uma das enfermeiras responsáveis pela formação dos conselheiros é a paulista Eliana Arantes, de 33 anos, há nove meses em Moçambique. Um de seus parceiros de trabalho mais experientes é o local Felisberto Dindas, de 36 anos. Ele lembra com precisão a data em que entrou para a MSF, a fim de trabalhar como segurança: 23 de outubro de 2001.

Naquele dia, sua vida mudaria em vários aspectos. A princípio, representava a conquista de um bom emprego. Um ano depois, Dindas foi convidado a se tornar conselheiro. “Eu tenho facilidade para me comunicar e conheço muita gente”, diz, com orgulho. Foi também graças ao trabalho na MSF que ele foi diagnosticado como SOROPOSITIVO. Conselheiros com o perfil de Dindas são sempre bem-vindos. Só quem tem o vírus sabe como é receber a notícia do HIV. Só quem vive em Moçambique conhece as dificuldades de seguir o tratamento. Só quem consegue conviver com a infecção, sem cair doente, é capaz de passar a importância da prevenção e do tratamento.

A precariedade do sistema de saúde em Moçambique é aterradora. Acompanhar um dia de trabalho da enfermeira paranaense Janaína Carmello é recuar meio século na história da medicina.

Aos 28 anos, ela é responsável pelo atendimento a grávidas no Centro de Saúde de Domué, na zona rural do distrito de Angónia, no noroeste do país. Sua principal missão é diminuir os riscos da transmissão vertical: a contaminação do bebê por sua mãe. Em suas consultas, não há aparelho de ultrassom ou sonar.

A enfermeira tem de trabalhar com a fita métrica e o estetoscópio de Pinard. A fita serve para medir a barriga da mãe e calcular a idade gestacional do feto, já que a maioria das gestantes não tem ideia de quando engravidou. Em geral, elas só procuram assistência médica no sexto mês de gravidez.

O estetoscópio, desenvolvido no início do século XIX, que Janaína só conhecia dos livros de história da medicina, é usado para medir os batimentos cardíacos do feto. Janaína encosta a boca do instrumento na barriga da gestante, aproxima o ouvido na outra ponta do estetoscópio e ouve o coraçãozinho na barriga da mãe.

Enquanto nos países desenvolvidos uma mãe SOROPOSITIVO é desaconselhada de amamentar seu bebê, de modo a reduzir o risco de infecção da criança, em Moçambique Janaínarecomenda que o aleitamento materno seja feito até os 6 meses. “Aqui, as mães não têm condições mínimas de higiene para preparar o leite artificial, ainda que você o forneça. As crianças ficam com diarreia, perdem peso, adoecem e podem até morrer”, diz ela. Ainda assim, quando as mulheres soropositivas seguem o tratamento à risca, a transmissão vertical do HIV é reduzida.

É dessa forma, com pequenas vitórias, que se trava o combate contra a AIDS em Moçambique. Desde a chegada da MSF, o número diário de novas contaminações caiu de 500 para 440. Pode parecer pouco, mas é uma grande conquista em se tratando de um país da África Subsaariana. E os brasileiros, como Raquel, Wânia, Eliana e Janaína, fazem a diferença em um universo tão esquálido.

Resposta imediata

“Resolvi entrar para os Médicos Sem Fronteiras porque me realizo no atendimento em situações de emergência. A resposta dos pacientes, nessas ocasiões, é muito rápida.

Para um enfermeiro, que é quem cuida dos doentes mais de perto, isso é muito gratificante. Em minha primeira missão na organização, ajudei a conter um surto de cólera no Zimbábue. Agora, em Moçambique, me dedico às gestantes soropositivas, na tentativa de evitar que elas contaminem seus bebês. É um trabalho difícil, disponho de poucos recursos. Para calcular a idade gestacional do feto, por exemplo, tenho de medir a barriga da paciente com uma fita métrica. Num cenário como esse, cada pequena conquista é motivo de orgulho.”

Apoio emocional

“Uma das minhas tarefas é dar continuidade ao trabalho iniciado pela médica Raquel Yokoda. Nossa intenção é estender o projeto de atendimento às crianças soropositivas a todos os centros de saúde e hospitais da capital Maputo. É importante trabalhar a questão da AIDS com as crianças, porque ainda hoje é muito difícil fazer com que os adultos mudem de hábitos por causa da doença. Muitos moçambicanos só agora começam a tomar conhecimento da existência do HIV.”

Wânia Correia, historiadora

Profissão: mãe

“Há 25 anos, fui gravemente ferida ao pisar no estilhaço de uma mina terrestre e fiz um voto de ajudar todas as pessoas que chegassem a mim pedindo auxílio. A vida me mandou crianças órfãs. Cheguei a ter cinquenta delas em casa. Hoje consegui que um orfanato fosse construído para abrigá-las. Muitas delas perderam mãe e pai por causa da AIDS. Por isso, além de cuidar para que elas se alimentem bem e estudem, eu faço questão de que todas passem pelo teste de HIV e, se necessário, recebam o tratamento adequado.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

4º25 anos de luta contra Aids

25 anos de luta contra Aids

O alerta continua: descuidar da proteção? Jamais!

Há alguns anos, receber o diagnóstico de Aids era quase uma sentença de morte. Hoje, com o avanço das terapias, ela pode ser controlada e o soro-positivo tem uma vida normal. Mas, o alerta permanece: Aids não tem cura. Por isso, descuidar da proteção, jamais! A camisinha ainda é a única maneira de evitar a contaminação pelo vírus.

No dia 12 de dezembro de 1977, morria aos 47 anos, a médica e pesquisadora dinamarquesa, Margarethe P. Rask. Ela havia estado na África, estudando sobre o vírus ebola e começou a apresentar diversos sintomas estranhos para a sua idade.

A autópsia revelou que os pulmões estavam repletos de microrganismos, responsáveis por um tipo de pneumonia fulminante que a levaria à morte por insuficiência respiratória. Assim foi detectada a primeira possível morte em razão de uma infecção associada ao vírus da imunodeficiência humana, ou HIV.

Do primeiro caso para os dias atuais já se passaram 26 anos. Durante todo este tempo a sociedade teve de aprender a lidar com uma das maiores epidemias de toda a raça humana, a Aids – ou SIDA – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Felizmente, hoje, programas de prevenção e de informação têm sido cada vez mais divulgados para evitar a propagação do vírus. No Brasil, o Ministério da Saúde faz campanhas para a divulgação maciça das maneiras de prevenção da Aids como o uso da camisinha (preservativo masculino) durante o ato sexual e o não compartilhamento de seringas e agulhas entre dependentes de drogas.

As medidas de prevenção contra a disseminação do vírus HIV entre os brasileiros também incluem as gestantes. Um programa especialmente criado para elas permite que todas recebam orientação para realizar o teste (gratuito) para detecção do vírus. Em caso de resultado positivo, a gestante é orientada sobre seus direitos e os de seu bebê, e sobre a importância de começar a receber, imediatamente, os cuidados recomendados pelo Ministério da Saúde, antes, durante e após o parto. O coquetel de medicamentos (ou terapia anti-retroviral) que a gestante recebe é capaz de controlar a evolução dadoença e prevenir a transmissão da Aids para o bebê.

As estatísticas da Unaids, programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, mostram que, na América Latina, a epidemia atinge aproximadamente 1,7 milhões de pessoas e o número de novos casos está chegando a 140 mil por ano. No Brasil, já foram identificados cerca de 433 mil casos de Aids desde o primeiro diagnóstivo, em 1980, até junho de 2006.

Esper Kallas, médico infectologista há mais de 10 anos, afirma que situação da Aids do Brasil pode ser considerada como privilegiada em comparação a outros países, embora seja preciso encará-la com muita cautela, já que cerca de 11 mil pessoas morrem por complicações da doença todos os anos.

Segundo Kallas, “os pacientes brasileiros têm acesso aos melhores medicamentos disponíveis. O governo tem sido um exemplo mundial nas estratégias e na implementação de medidas de prevenção e tratamento, embora, é claro, tenha que se ter em mente que nenhum programa é 100% perfeito. Seguramente existem pontos que devem ser melhorados, mas acredito que o Brasil está no caminho certo nesses 25 anos de epidemia.”

Questionado especialmente para esta matéria, sobre o crescente numero de casos de HIV em mulheres, o especialista explica: “este quadro confirma a idéia de que hoje em dia não existe mais o chamado grupo de risco, ou seja, qualquer pessoa está sujeita à contaminação”. Kallas faz um sério alerta: “não devemos dar a impressão para a população de que ela não faz parte do chamado grupo de risco, dando a certeza de que está livre de se infectar. O aumento expressivo de casos entre as mulheres é um reflexo de que a doença vem se transmitindo entre os heterossexuais com mais facilidade.”

De acordo com o médico, quando um indivíduo é contaminado pelo HIV, o vírus demora em média de 5 a 7 anos para se multiplicar no organismo; assim, conseqüentemente esse aumento no número de mulheres infectadas pelo HIV, na verdade, reflete uma transmissão que aconteceu anos atrás.”

Por fim, Kallas conclui que o mais importante é sempre manter a Aids sob discussão. É preciso que as pessoas conheçam exatamente o problema, que tenham consciência que a doença não tem cura, que os vírus tornam-se mais resistentes aos tratamentos (mesmo os mais atuais) quando prescritos a longo prazo, e que não existem mais grupos de risco.

Na verdade, todas as informações sobre a doença precisam caminhar para um dado vital: a prevenção ainda é maneira mais eficiente e correta para prevenir a contaminação com o vírus. Não importa a idade, não importa o gênero, não importam as preferências sexuais, não importa raça ou cor: vida sexual ativa exige o uso da camisinha. Até o momento a única maneira eficaz de evitar a Aids, doença hoje crônica, mas fatal, infelizmente.



FONTE,Veículo: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo

3ºEstatísticas brasileiras

A AIDS NO BRASIL:

situação atual e tendências

Por Carmem Dhalia, Draurio Barreira e Euclides Ayres de Castilho
CN–DST/AIDS, SPS–MS.

A aids foi identificada pela primeira vez no Brasil, em 1980. Na primeira metade da década de 80, a epidemia manteve-se restrita a São Paulo e Rio de Janeiro, as maiores regiões metropolitanas do País. A partir do final daquela década, observou-se a disseminação da doença para suas diversas regiões. Apesar do registro de casos em todos os estados, a epidemia da aids não se distribui de forma homogênea, observando-se a maior concentração de casos nas regiões Sudeste e Sul, as mais desenvolvidas do Brasil. As taxas de incidência nos últimos anos evoluíram de 8,0 por 100.000 habitantes, em 1991, para 13,7 por 100.000 habitantes, em 1998, (Gráfico 1) e apresentam uma grande variação ao longo do território brasileiro (é oportuno salientar que a cifra referente ao período de 1999 a maio de 2000 representa, certamente, muito mais um retardo de notificação do que um verdadeiro declínio acentuado). "Hoje, o que denominamos de epidemia de aids no Brasil é, de fato, o somatório de subepidemias microrregionais em interação permanente, devido aos movimentos migratórios, aos fluxos comerciais e de transporte, aos deslocamentos de mão-de-obra, ao turismo, ou seja, de maneira mais geral, à mobilidade da população" (Szwarcwald et al., 1997).








A análise das figuras 1 e 2 permite perceber a nítida expansão da doença do litoral sudeste para as regiões Nordeste, Centro-oeste e Norte. Atualmente, 59% dos 5.507 municípios brasileiros já registraram pelo menos 1 caso de aids.

A velocidade de crescimento da epidemia no País foi de, aproximadamente, 36% ao ano, no período de 1987/89 a 1990/92, decrescendo para 12%, no período de 1990/92 a 1993/96. Apesar de apresentar as maiores taxas de incidência, a região Sudeste é a que apresenta, atualmente, o menor ritmo de crescimento e a maior tendência à estabilidade. A análise da expansão da epidemia, segundo as categorias populacionais dos tamanhos dos municípios, mostra que a epidemia teve início nos grandes centros urbanos, mas que esses mesmos centros detêm o menor aumento relativo do crescimento. Observa-se que os maiores ritmos de crescimento ocorrem entre municípios pequenos, com menos de 50.000 habitantes, identificando-se que nesses municípios a epidemia está ainda na fase inicial de expansão (Szwarcwald et al., 1999).

Tabela 1 - Taxas médias de incidência de aids (100.000 hab.) por categoria populacional
(município segundo número de habitantes e período de tempo. Brasil, 1987-1996

Categoria populacional
(Nº hab) Período de tempo
1987-1989 1990-1992 1993-1996
0 - 50.000
50.001 - 200.000

200.001 - 500.000

500.001 e mais

0,56
2,31

6,45

10,93

1,87
7,73

17,17

24,70

4,03
13,92

27,30

32,40

Total 4,68 11,74 17,56
Desde 1980, até 03/06/2000, 190.949 casos foram registrados na Coordenação Nacional de DST e Aids. Desses, 6.750 são crianças, 139.502 são adultos do sexo masculino e 44.697 do sexo feminino (Ministério da Saúde, 2000).

A partir de estudos de prevalência do HIV em gestantes, nos três cortes realizados nos anos de 1997 e 1998, estimou-se, para o ano de 1998, que cerca de 530 mil indivíduos, na faixa etária de 15 a 49 anos, estavam infectados pelo HIV. O grupo-sentinela das gestantes foi selecionado para estimação das prevalências da infecção pelo HIV por ser considerado, preferencialmente, apesar das restrições, o grupo cujas taxas mais se aproximam daquelas apresentadas pelas mulheres na população geral; sendo o número de infectados do sexo masculino calculado com base nas razões de sexo entre taxas de incidência acumuladas preditas para o ano 2003, próximas a 2 homens : 1 mulher (Szwarcwald e Castilho, 1999).

Essas estimativas, discriminadas por sexo e macrorregião, estão dispostas na figura 4.


Nos últimos anos, a epidemia da infecção pelo HIV/aids no Brasil vem apresentando mudanças também nos níveis de agregação demográfica.

No ano de 1984, 71% dos casos notificados no Brasil eram referentes a homo/bissexuais masculinos. Progressivamente, observou-se a redução da participação dessa subcategoria de exposição que, em 1999/2000, é de 22%.. Essa tendência pode ser observada em todas as regiões do Brasil (Ministério da Saúde, 2000).


O aumento de casos por via heterossexual fez-se acompanhar de uma expressiva participação das mulheres no perfil epidemiológico da doença, constatada na progressiva redução da razão de sexo entre todas as categorias de exposição, de 24 homens : 1 mulher, em 1985, para 2 homens : 1 mulher, em 1999/2000.


Enquanto os maiores aumentos relativos dos casos em mulheres são observados em todas as regiões do Brasil, já vem sendo observada uma desaceleração do crescimento da epidemia entre os homens na região Sudeste (Szwarcwald et al., 1999).

Uma das conseqüências diretas dessa maior participação feminina é o progressivo aumento da transmissão vertical. A primeira ocorrência de transmissão perinatal, registrada no Brasil, foi em 1985. Daí, até 03/06/2000, foram notificados 5.409 casos a partir dessa forma de transmissão (Ministério da Saúde, 2000).

Estima-se que 12.898 gestantes estão infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana, com base nos estudos-sentinela da infecção pelo HIV realizados no Brasil. Esse número corresponde a 0,4% do total das gestantes. Dessas, apenas 2.512 receberam zidovudina injetável no momento do parto, o que corresponde, apenas, a 19,5% do número estimado de gestantes infectadas. Considerando a disponibilidade contínua da zidovudina injetável nos serviços públicos de saúde, o qual as gestantes, na sua maioria, aceitam se submeter ao diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV, se oferecido e, quando infectadas, é rara a recusa em receber a zidovudina, não seria de se esperar tão pequeno percentual recebendo o medicamento injetável durante o parto (Veloso et al. 1999). Diante dessa situação, encontra-se, no Brasil, em fase de implantação, a Vigilância de Gestantes HIV+ e Crianças Expostas que possibilitará, desde o rastreamento da infecção no pré-natal, condição inicial para o desencadeamento das ações profiláticas, até a mensuração da prevalência da infecção infantil, produto final e indicador de impacto das ações profiláticas desenvolvidas. Além disso, o acompanhamento contínuo da prevalência da infecção entre as gestantes fornece um indicador mais representativo da infecção entre as mulheres, uma vez que tem base populacional, possibilitando a detecção precoce de flutuações da prevalência e/ou alterações do perfil epidemiológico da infecção (Ministério da Saúde, 2000).


A predominância da transmissão perinatal nos casos pediátricos tem modificado o perfil etário das ocorrências dos mesmos. No período de 84 a 87, 21 das crianças notificadas tinham de 0 a 4 anos, enquanto que em 1999/2000, 84% dos casos pediátricos estavam nesse grupo etário.

Desde o início da epidemia, o grupo etário mais atingido, em ambos os sexos, tem sido o de 20 a 39 anos, perfazendo 70% do total de casos de aids notificados até 03/06/2000 (Ministério da Saúde, 2000).

A escolaridade tem sido utilizada como uma variável auxiliar (proxi), na tentativa de se traçar o perfil socieconômico dos casos notificados, embora ainda seja elevado o percentual de casos com escolaridade ignorada. Até 1982, a totalidade dos casos com escolaridade conhecida era de nível superior ou com até 11 anos de estudo. Nos anos subseqüentes, observou-se a tendência de aumento no registro de casos com menor grau de escolaridade. Em 1999/2000, entre os casos com escolaridade reconhecida, observou-se que 74% dos casos eram analfabetos ou tinham até 8 anos de escolaridade, e apenas 26% tinham mais de 11 anos de escolaridade ou curso superior (Ministério da Saúde, 2000).


Ainda em relação à escolaridade, observa-se que a incidência de casos vem aumentando tanto em homens quanto em mulheres com até 8 anos de escolaridade. Entre os indivíduos com mais de 8 anos de escolaridade, observa-se que os casos diminuem no sexo masculino, o mesmo não acontecendo no sexo feminino (Tabela 2).


A transmissão sangüínea do HIV em hemofílicos e em indivíduos que receberam transfusão de sangue, segmento populacional intensamente atingido no início da epidemia, vem apresentando um importante declínio ao longo do tempo. Essa queda é conseqüência do rigoroso controle do sangue e hemoderivados, adotado principalmente a partir da disponibilidade dos testes laboratoriais para detecção de anticorpos anti-HIV. Essas subcategorias representavam 62% da categoria de exposição sangüínea, em 1984, e 0,9 %, em 1999/2000. Por outro lado, observa-se uma rápida e extensa difusão dos casos de usuários de drogas injetáveis em determinadas áreas geográficas. Em 1984, 37% dos casos de aids por transmissão sangüínea eram atribuídos, pelo compartilhamento de agulhas e seringas, ao uso de drogas injetáveis. Essa subcategoria, em 1999/2000, já representava 99% das ocorrências por transmissão sangüínea (Ministério da Saúde, 2000).


A predominância da transmissão perinatal nos casos pediátricos tem modificado o perfil etário das ocorrências dos mesmos. No período de 84 a 87, 21% das crianças notificadas tinham de 0 a 4 anos, enquanto que em 1999/2000, 86% dos casos pediátricos estavam nesse grupo etário.

Desde o início da epidemia, o grupo etário mais atingido, em ambos os sexos, tem sido o de 20 a 39 anos, perfazendo 70% do total de casos de aids notificados até 03/06/2000 (Ministério da Saúde, 2000).

A escolaridade tem sido utilizada como uma variável auxiliar (proxi), na tentativa de se traçar o perfil socieconômico dos casos notificados, embora ainda seja elevado o percentual de casos com escolaridade ignorada. Até 1982, a totalidade dos casos com escolaridade conhecida era de nível superior ou com até 11 anos de estudo. Nos anos subseqüentes, observou-se a tendência de aumento no registro de casos com menor grau de escolaridade. Em 1999/2000, entre os casos com escolaridade reconhecida, observou-se que 74% dos casos eram analfabetos ou tinham até 8 anos de escolaridade, e apenas 26% tinham mais de 11 anos de escolaridade ou curso superior (Ministério da Saúde, 2000).





Em que pese os progressos alcançados na redução da mortalidade, o impacto da aids ainda é muito grande na mortalidade em adultos em idade produtiva, sendo a 4ª causa de óbito no grupo de 20 a 49 anos, no ano de 1996. Esse impacto nessa faixa etária tem, ainda, como conseqüência, um grande número de órfãos, estimado em 29.929 (Tabela 3), e todos os problemas acarretados por essa situação.

Tabela 3 - Estimativas e projeções do número acumulado de órfãos decorrentes
da aids materna por grande região. Brasil, 1978 - 1999.

Região Nº acumulado de órfãos
Norte
Nordeste

Sudeste

Sul

Centro-Oeste

1.180
3.987

19.722

3.148

1.892

Total 29.929
Os avanços da terapia anti-retroviral obrigam a vigilância epidemiológica a repensar sua prática, uma vez que a simples consolidação dos dados de aids não mais espelha a realidade da epidemia, antes reflete o modo como a transmissão do HIV ocorria há alguns anos. A tendência, com as profilaxias e tratamentos atuais, é de que as pessoas com o HIV permaneçam indefinidamente nesta condição, sem preencherem os critérios de definição de caso de aids, e sem serem notificados, acarreta distorções na interpretação da evolução da epidemia e dificulta as atividades de planejamento das ações de prevenção e assistência. Em decorrência destes avanços, a vigilância epidemiológica vem ampliando suas atividades no campo do monitoramento da infecção pelo HIV.

Na busca de se identificar fatores que possam estar contribuindo com essa situação, a Pesquisa sobre o Comportamento Sexual da População Brasileira e Percepção do Risco para o HIV/Aids (Berquó et al. 1999) foi conduzida em 183 microrregiões urbanas do País, no ano de 1998, em uma amostra de 3.600 indivíduos de 16 a 65 anos. Essa pesquisa mostrou que 80% das pessoas, dos 16 aos 65 anos, são sexualmente ativas, sendo os homens mais ativos sexualmente (87%) do que as mulheres (72%). Na faixa etária dos 26 aos 40 anos, estão 89% da população sexualmente ativa. Do total de pessoas sexualmente ativas, 81% tinham relações estáveis nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa, 6% tinham relações eventuais e 13% mantinham os dois tipos de relação. No referido período, 71% das mulheres tiveram relações sexuais com um único parceiro, contra 46% dos homens. Cerca de 35% das pessoas mantiveram relações sexuais com dois ou mais parceiros e 6% tiveram mais de cinco parceiros no período.

Essa mesma pesquisa demonstrou que grande parte da população já se "sentiu" exposta à infecção, e 20% fizeram exame sorológico para a infecção pelo HIV, em serviços públicos ou privados. A faixa etária que mais procurou os testes foi a de 26 a 40 anos.

Em relação ao uso de preservativos, 64% da população sexualmente ativa disseram ter usado ou estar usando o preservativo, nos últimos 12 meses. Sendo que, entre os jovens, esse percentual chega a 87%. Um dado que chama atenção é que 48% dos que disseram estar usando ou ter usado o preservativo o fizeram pela primeira vez nos últimos 5 anos, demonstrando uma adesão crescente na utilização desse método de prevenção. Dados da indústria dos

preservativos demonstram que, em 1992, eram comercializados, no Brasil, 50 milhões de unidades/ano, chegando esse número a 300 milhões em 1998.

A Pesquisa Comportamental de Conscritos de Exército Brasileiro, realizada por ocasião da apresentação dos mesmos, no ano de 1998, em três extratos compostos por: a) municípios de 5 estados do Norte e Centro-oeste; b) municípios dos estados da região Sul; e c) municípios do Rio de Janeiro e São Paulo), coletou informações sobre condições socioeconômicas, práticas sexuais, uso de drogas injetáveis e problemas relacionados às infecções sexualmente transmissíveis, permitindo associá-las, pela primeira vez, aos resultados de exames sorológicos para infecção pelo HIV.

Entre os resultados dessa pesquisa, pode-se verificar que os conscritos residentes no Norte e Centro-oeste possuíam menor renda familiar, mais baixo nível de instrução, maior taxa de atividade sexual, idade mais precoce de início do relacionamento sexual, maior número de parceiros no último ano, menor taxa de uso de preservativo, maior percentual de uso de drogas injetáveis e maiores taxas de infecções sexualmente transmitidas. Foi também nesse estrato que se encontrou a maior proporção de infectados pelo HIV (0,2%).

A pesquisa apontou, ainda, que uma alta proporção de conscritos usaram preservativo na última relação sexual. Analisando-se o uso do preservativo nos últimos 12 meses, observou-se que o utilização diminui quando o parceiro é fixo, aumentando progressivamente se o parceiro é casual, pagante ou pago. Ainda, o uso do preservativo aumenta, ainda, de acordo com o grau de escolaridade.

Quanto ao uso de drogas injetáveis, observou-se que essa prática diminui quando cresce o grau de escolaridade.

Essa pesquisa identificou a escolaridade como a variável com maior poder explicativo das diferenças relativas às práticas sociais de risco (Szwarcwald CL., et al. 1999). Os seus resultados corroboram os estudos realizados em outros países que mostraram que jovens adolescentes de baixo nível de instrução e baixo nível socioeconômico são os mais suscetíveis às doenças sexualmente transmissíveis. A análise apontou, assim, para a importância da implementação de programas para adolescentes voltados para prevenção de comportamentos sexuais de risco.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. BASTOS FI., e SZWARCWALD CL. Aids e pauperização: principais conceitos e evidências empíricas sobre a epidemia da aids no Brasil: distintas abordagens, p. 07-19. Brasília, 1999.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. BERQUÓ E. et al. Comportamento Sexual da População Brasileira e Percepções do HIV/AIDS – Relatório final (mimeo). Brasília.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. GOMES MRO. Mortalidade por aids no Brasil – atualização até 1997. Boletim Epidemiológico – Aids XII, Semana Epidemiológica 48/1998 – 08/1999. Brasília, 1999.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Boletim Epidemiológico – Aids XII: 9 – 15 Semana Epidemiológica – 35-47, setembro/novembro. Brasília, 1999.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Implantação da Vigilância de Gestantes HIV+ e Crianças Expostas (mimeo). Brasília, 2000.

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BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SZWARCWALD CL. A Disseminação da Epidemia de Aids no Brasil no Período de 1987-1996: Uma Análise Espacial. Sobre a epidemia da aids no Brasil: distintas abordagens 55-60. Brasília, 1999.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SZWARCWALD CL. Estimativa do número de órfãos decorrentes da aids materna, Brasil, 1987-1999, uma nota técnica. Boletim Epidemiológico – Aids XII: 9 - 15, Semana Epidemiológica – 35-47, setembro/novembro.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SZWARCWALD CL. Comportamento de Risco dos Conscritos do Exército Brasileiro, 1998: Uma apreciação da infecção pelo HIV segundo diferenciais socieconômicos. Sobre a epidemia da aids no Brasil: distintas abordagens, p. 121-140. Brasília, 1998.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SZWARCWALD CL., e CASTILHO E A., (1999) Estimativa do número de pessoas de 15 a 49 anos infectadas pelo HIV, Brasil, 1998: uma nota técnica. In: Boletim Epidemiológico – Aids XII: 7-10 Semana Epidemiológica – 09-21, março/maio, Brasília, 1998.


FONTE.Por Carmem Dhalia, Draurio Barreira e Euclides Ayres de Castilho
CN–DST/AIDS, SPS–MS.

2º Aids: Números apontam estabilização no registro de novos casos - 24/11/2003

Aids: Números apontam estabilização no registro de novos casos - 24/11/2003
Programa Nacional de DST e Aids
Brasília, 24 (Agência Saúde) – Os números da Aids no Brasil foram atualizados até setembro deste ano, com o registro de 19.373 novos casos nos últimos nove meses – sendo 5.762 deste ano e 13.611 relativos a 2002. O balanço foi apresentado hoje pelo ministro da Saúde, Humberto Costa. As principais conclusões a que se chega a partir destes números são: 1) Houve uma estabilização, a partir de 2000, do índice de novos casos registrados (em torno de 22 mil por ano); 2) Essa estabilização ocorre em um patamar inferior ao observado na década de 90 (em torno de 25 mil por ano); e 3) Proporcionalmente, o avanço da Aids tem sido maior entre heterossexuais homens. Entretanto, entre mulheres, a partir de 2000, observamos uma estabilização da taxa de crescimento da epidemia, com 8 mil casos em média, por ano.

A razão entre os sexos permanece em torno de 1,8 casos em homens para cada caso em mulher – como já se observa desde o ano 2000 –, com tendência de queda da incidência entre as mulheres. As taxas médias têm sido de 15,2 casos por 100 mil habitantes, sendo 19,3 por 100 mil homens e de 11 por 100 mil mulheres. A velocidade de crescimento, no geral, mostra estabilidade entre os homens (com redução entre homossexuais e usuários de drogas e aumento entre heterossexuais) e também entre as mulheres.

Entre os homens, consolida-se o crescimento da categoria heterossexual como principal forma de transmissão do vírus, enquanto mantém-se a redução dos casos devido à transmissão por uso de drogas injetáveis e a manutenção dos números em relação à transmissão homossexual, em todas as regiões. Dos casos de aids em homens por transmissão sexual, cerca de 60% são entre heterossexuais. Já entre as mulheres, as transmissões por relações sexuais passam de 90% das notificações.

Em setembro de 2003, o Brasil acumulava um total de 277.141 casos de Aids registrados desde o início da epidemia no país, em 1980. Desse total, 70% são homens (197.340).

A epidemia mantém-se estável na região Sudeste (21 casos por 100 mil habitantes) e na região Centro-Oeste (12 casos por 100 mil habitantes). As regiões Sul, Norte e Nordeste ainda apresentam tendência de crescimento, embora as taxas já sejam menores do que as observadas antes de 2000.

Os números mostram ainda duas boas notícias. A primeira delas é a redução de praticamente 100% dos casos de transmissão por transfusão sangüínea, graças ao controle rigoroso do material nos hemocentros. A segunda é a queda em quase um terço dos casos por transmissão vertical (de mãe para filho) devido o aumento da cobertura do teste do HIV e do tratamento das gestantes.

Homens na mira – O aumento da Aids entre homens heterossexuais tem feito o Ministério da Saúde ampliar as ações para este segmento. O cartunista Miguel Paiva acaba de emprestar seu personagem “Gatão de Meia Idade” para a criação de uma cartilha voltada para o público masculino de 40 a 50 anos, que apresenta mais resistência ao uso do preservativo. Nos próximos meses, serão distribuídos 300 mil exemplares, em estádios de futebol, fábricas, obras de construção civil, portos e outros lugares de grande aglomeração masculina.

Além da cartilha, a coordenação do Programa Nacional de DST/Aids vem trabalhando com as organizações não-governamentais, que atuam com a população masculina, para inserir o tema Aids entre heterossexuais. Além disso, está estimulando a criação de novas organizações voltadas para este público.

Outra forma de atingir os heterossexuais é a campanha de incentivo ao diagnóstico Fique Sabendo, desenvolvida pelo Ministério da Saúde, e que está hoje em curso. O objetivo da mobilização nacional é dobrar, a cada ano, o número de testes do HIV realizados no Brasil, atingindo 100% das gestantes e alcançando os cerca de 400 mil brasileiros que podem ter o vírus da Aids e ainda não sabem. Com o diagnóstico precoce, o tratamento é iniciado mais cedo, garantindo maior sobrevida aos infectados, sem evolução para casos de Aids.



Balanço Aids

Considerado modelo internacional, o Programa Brasileiro de Combate ao HIV/Aids combina acesso gratuito ao tratamento anti-retroviral com fortes campanhas de prevenção ao HIV;



Ações 2003

1) Fique Sabendo – incentivo ao teste do HIV

Pela primeira vez, desde o início da epidemia de Aids no Brasil, é realizada uma mobilização de massa para diagnóstico do HIV. Com a campanha Fique Sabendo, o Ministério da Saúde quer aumentar em 150% o número de testes realizados anualmente no país, dos atuais 1,8 milhão para 4,5 milhões até o ano de 2006;

Estima-se que dos cerca de 600 mil portadores do HIV no Brasil, 400 mil desconheçam sua situação sorológica;

Para atender ao aumento da demanda por exames, R$ 15 milhões foram destinados para que estados e municípios ampliem sua capacidade laboratorial;

Além disso, para capacitar os profissionais, foram realizados treinamentos em 27 laboratórios centrais de saúde pública. As centrais agirão como multiplicadores desse processo nos municípios.



2) Saúde e Prevenção nas Escolas – distribuição de preservativos

Numa iniciativa inédita no mundo, o governo brasileiro lançou o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas de distribuição de preservativos para estudantes. A meta é, até 2006, entregar 235 milhões de preservativos por ano para 2,5 milhões de estudantes dos Ensinos Fundamental, Médio e de escolas para jovens e adultos de todo o país;

Esta é uma parceria dos ministérios da Saúde e da Educação para prevenir a contaminação por Aids, as doenças sexualmente transmissíveis e também a ocorrência de gravidez entre os estudantes;

Até dezembro de 2003, serão 256 mil preservativos para 30 mil alunos dos municípios de Rio Branco e Xapuri (AC), São José do Rio Preto e São Paulo (SP), além de Curitiba (PR), que integram a primeira fase do programa. O custo total desta fase é de US$ 7 mil dólares para atender 105 mil alunos.



3) Medidas para redução da transmissão vertical

Para reduzir a transmissão do HIV de mãe para filho, a partir deste ano, além dos anti-retrovirais, o Sistema Único de Saúde (SUS) também passou a custear os testes para detecção do HIV e de confirmação da sífilis materna, o inibidor de lactação e o leite artificial para crianças verticalmente expostas ao HIV, do nascimento até os seis meses de idade;

A política de redução da transmissão vertical do HIV foi oficializada por meio da portaria nº 822, de 27 de junho de 2003.



Metas até 2006

1) Ampliação de cobertura

Para ampliar a cobertura das ações, o Ministério da Saúde aumentou para 411 o número de municípios que recebem recursos federais para controle do HIV/Aids. Até 2002, apenas 150 municípios eram beneficiados;

O valor total do repasse será de R$ 100 milhões/ano, sendo que 10% destinam-se às organizações não-governamentais que trabalham com portadores de DST/Aids.



2) Duplicar o uso de preservativos

Aproximadamente, 85% dos casos de Aids são por transmissão sexual e 69% da população brasileira é sexualmente ativa. Diante desse fato, o governo pretende dobrar o consumo de preservativos de 550 milhões para 1,2 bilhão, mediante a redução do preço por isenção fiscal e ampliação dos pontos de comercialização. Espera-se ainda ampliar a distribuição pública de preservativos em 33%;



3) Aumentar o número de exames de diagnóstico

Atualmente, 1,8 milhão de pessoas realiza o teste do HIV todos os anos. O Ministério da Saúde quer atingir mais 2,7 milhões brasileiros, aumentando para 4,5 milhões o total de exames de diagnóstico por ano;



4) Redução do número de casos

Com a ampliação do uso do preservativo, dos exames de diagnóstico e da assistência à pessoa soropositivo, o Ministério da Saúde quer reduzir de 15 para 10 por 100 mil habitantes os registros de HIV/Aids por ano;



5) Redução da mortalidade

A meta é diminuir o índice de mortalidade por aids para 35%, no lugar dos 50% registrados hoje. A garantia de acesso aos anti-retrovirais, aos medicamentos para doenças oportunistas e a serviços de qualidade são fundamentais para alcançar esse objetivo. Até 2006, a expectativa é de que 193 mil pessoas estejam em tratamento;



6) Públicos prioritários

Além disso, as ações vão priorizar as comunidades de baixa renda, as mulheres, os jovens, a população carcerária, os homossexuais, os profissionais do sexo e os usuários de drogas injetáveis.



FONTE,Agência Saúde
Mais informações
Assessoria de Imprensa da Coordenação Nacional de DST/Aids
Tel: (61) 448-8100/ 8088

1ºO QUE É AIDS

A aids é a sigla em inglês da síndrome da imunodeficiência adquirida. É causada pelo HIV, vírus que ataca as células de defesa do nosso corpo. Com o sistema imunológico comprometido, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, um simples resfriado ou infecções mais graves como tuberculose e câncer. O próprio tratamento dessas doenças, chamadas oportunistas, fica prejudicado.

Mas, atenção! A aids é o estágio mais avançado da infecção pelo HIV. Uma pessoa pode passar muitos anos com o vírus sem apresentar sintoma algum. A duração desse período depende da saúde e dos cuidados do soropositivo com o corpo e alimentação.

Quanta mais cedo a infecção for descoberta, melhor. Portanto, faça o teste sempre que se expor ao HIV. Saiba onde fazer.

Há alguns anos, receber o diagnóstico de aids era quase uma sentença de morte. Atualmente, porém, a aids pode ser considerada uma doença de perfil crônico. Isto significa que é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento e uma pessoa infectada pelo HIV pode viver com o vírus por um longo período, sem apresentar nenhum sintoma ou sinal.

Isso tem sido possível graças aos avanços tecnológicos e às pesquisas, que propiciam o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais eficazes. Deve-se, também, à experiência obtida ao longo dos anos por profissionais de saúde. Todos estes fatores possibilitam aos portadores do vírus ter uma sobrevida cada vez maior e de melhor qualidade.


Dúvidas Freqüentes


Atualmente, ainda há a distinção entre grupo de risco e grupo de não risco?

Essa distinção não existe mais. No começo da epidemia, pelo fato da aids atingir, principalmente, os homens homossexuais, os usuários de drogas injetáveis e os hemofílicos, eles eram, à época, considerados grupos de risco. Atualmente, fala-se em comportamento de risco e não mais em grupo de risco, pois o vírus passou a se espalhar de forma geral, não mais se concentrando apenas nesses grupos específicos. Por exemplo, o número de heterossexuais infectados por HIV tem aumentado proporcionalmente com a epidemia nos últimos anos, principalmente entre mulheres.
O que se considera um comportamento de risco, que possa vir a ocasionar uma infecção pelo vírus da aids (HIV)?

Relação sexual (homo ou heterossexual) com pessoa infectada, sem o uso de preservativos; compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente, no uso de drogas injetáveis; transfusão de sangue contaminado pelo HIV; reutilização de objetos perfuro-cortantes com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV.
Qual o tempo de sobrevida de um indivíduo portador do HIV?

Até o começo da década de 90, a aids era considerada uma doença que levava à morte em um prazo relativamente curto. Porém, com o surgimento do coquetel (combinação de medicamentos responsáveis pelo atual tratamento de pacientes HIV positivo) as pessoas infectadas passaram a viver mais. Esse coquetel é capaz de manter a carga viral do sangue baixa, o que diminui os danos causados pelo HIV no organismo e aumenta o tempo de vida da pessoa infectada.
O tempo de sobrevida (ou seja, os anos de vida pós-infecção) é indefinido e varia de indivíduo para indivíduo. Por exemplo, algumas pessoas começaram a usar o coquetel em meados dos anos noventa e ainda hoje gozam de boa saúde. Outras apresentam complicações mais cedo e têm reações adversas aos medicamentos. Há, ainda, casos de pessoas que, mesmo com os remédios, têm infecções oportunistas (infecções que se instalam, aproveitando-se de um momento de fragilidade do sistema de defesa do corpo, o sistema imunológico).
Quanto tempo o HIV sobrevive em ambiente externo?

O vírus da aids é bastante sensível ao meio externo. Estima-se que ele possa viver em torno de uma hora fora do organismo humano. Graças a uma variedade de agentes físicos (calor, por exemplo) e químicos (água sanitária, glutaraldeído, álcool, água oxigenada) pode tornar-se inativo rapidamente.

FONTE,MINITÉRIO DA SAUDE

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